terça-feira, 6 de abril de 2010

Sea.



Vejo as ondas baterem.
Sinto o vento frio, me arrepiando os pêlos por todo o corpo.
Gotas, pequenas gotas mancham minha pele.
Há tempos não tenho essa sensação.
A sensação de estar tão perto de algo que me amedronta tanto, me encanta tanto.
De algum lugar foge o som leve e metálico de uma música chorosa, me fazendo lembrar de momentos e coisas que há muito tenho evitado pensar.
Cheguei ao ponto em que pensar não ajuda.
Só quero sentir.
Sentir liberta.
Por que em meio a tantas dúvidas, o sentir é fuga.
Fujo para dentro de mim mesma, tentando achar um porto.
Sinto aquela imensidão a minha frente ficando maior a cada passo que dou.
Agora faço parte dela. Minhas dúvidas parecem menores então.
Um porto. Um fim.
Enfim, certezas.
No imenso mar, que abarca minha alma, que me lava.

Me leva.

Eleva.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Diários da Lisa #02



Querido diário,

Acho que você já deve ter ouvido a expressão "pessoa certa na hora errada", não é? Pois é, eu ando pensando muito sobre isso. Cheguei a conclusão de que essa frase é tão errada! Se a pessoa é a certa, não existe isso de 'hora errada'. E se tá na hora errada, nenhuma pessoa é certa, não é mesmo?
E ainda acho que essa questão vai muito além. Como se tem certeza de que uma pessoa é certa pra gente? Sim, quando a gente não tem muito o que fazer fica listando características de uma possível pessoa ideal. E quanto mais fazemos isso mais temos certeza de que nunca vamos encontrar a pessoa certa! Claro que existem certos tipos de características em uma pessoa que você sabe que nunca vai aceitar ou conviver. Mas daí a fazer uma pessoa só com qualidades e com defeitos que não se pode considerar realmente defeitos é que nem entrevista de emprego: Tá la escrito "liste um defeito seu", aí você todo fanfarrão põe "Eu sou organizado e perfeccionista demais". Você realmente acha que o entrevistador acreditou em você? Claro que não. Mas ele se deixa enganar, porque é o tipo de mentira que ele espera que você conte. Mas e aí? Você idealiza uma pessoa no mesmo esquema da entrevista, mas no fundo você sabe que nunca vai achar alguém que se encaixe nos seus sonhos. Aí vira um frustrado que nem eu, que passou tempos pensando como seria o príncipe encantado e cresce e percebe que o que realmente importa é como a pessoa te faz sentir, não o que ela é na real.
E na boa? Não existe momento errado com pessoas certas. Existe uma coisa chamada 'disposição'. Não existe perfeição, existe 'ajuste'.
É no que acredito.


Até a próxima.

domingo, 31 de janeiro de 2010

Diários da Lisa #01



Querido diário,

Não sei bem o porquê de se ter um diário, mas sei lá, deu na veneta e eu tô numa fase tão ''não se reprima, mesmo que isso pareça idiota"... Então, vamos lá.
Nesse nosso primeiro contato acho que eu deveria me apresentar, né? Apesar de, pelo fato de você ser meu, já deveria vir sabendo a maior parte da coisa toda, não é...? Ou não. Eu tenho amigos que são 'meus' e não sabem quase nada da minha vida. É, mas eles não são coisas, e eles não vivem em função de mim [uma pena, diga-se de passagem]. Enfim, a idéia é extravasar pensamentos e não falar nada com nada mesmo.
Depois de mais de 12 horas quase seguidas de sono, o meu cérebro fica meio empanturrado de pensamentos. Da vontade de ter DR com todo mundo, vontade de dar minha opinião para tudo. Mas muita coisa é inútil, admito. Mas sei lá, deu vontade de dar uma arrancada na minha vida, deu vontade de ler, de estudar, de fazer planos sérios e viver menos nas nuvens e mais no chão, de conversar com pessoas que não falo há anos e pans.
Pois é, a vontade é muita, mas a coragem é pouca. O dia nem terminou e eu queria dormir e acordar daqui há uns 10 anos. Tipo aquele filme click, saca? Ta, tudo bem que o cara só se ferrou e tal, mas eu queria ir para uns 10 anos à frente só pra espiar o que vai acontecer. Se já vou estar formada, casada, com um emprego estável e com o Arthur [meu filho] já com 1 ou 2 anos [e dizem que eu não faço planos, ora bolas...].
Bom, hoje foi um típico domingo besta. Ah, não tô mais a fim de falar do meu dia.


Ah, hoje é aniversário do Átila.
Lembra dele? hahahaahhaha

Enfim.

Até mais!

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Pois é.



Um amigo viu e lembrou de mim.
[Acho que vou ter isso como um elogio.]

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Pain

Queria ter criatividade o suficiente para escrever sobre dor. É, dor. Essa coisa que de vez em quando insite em nos assolar. Sejam dores somáticas, ou as psicológicas. As dores somáticas às vezes são melhores de lidar. Vc toma remédio, faz tratamento e, se não houver mais caminho, o corpo cede e sucumbe. Fato é, ninguém convive com dores corporais por muito tempo, e quem consegue acostuma-se, mas não por muito tempo.
Bom, na minha opinião, a pior dor é a pisicológica. Aquela que você cria. Porque essa, na maioria das vezes você se vê obrigado a conviver, tenta fugir, mas ela sempre está lá.

Como se livrar dela? Você procura caminhos alternativos, você se apega à coisas que te fazem esquecê-la, mas em algum momento se depara com a criatura lá, te olhando bem nos olhos, com aquele sorrisinho amarelo. Algumas dores são tão inventadas que elas parecem ter nossa aparência. Já se olhou no espelho e se viu esquelético, com marcas de cansaço, com uma aparência cadavérica? É a dor que te pinta assim. Você acha que não tem outra solução senão se esvair de si mesmo. Mas como fazer isso? como se livrar de algo que está entranhado em seu ser? Como jogar fora uma parte de si mesmo que por pior que seja, te ensina. É, te ensina. Ensina a valorizar as pequenas e boas coisas da vida. Te ensina a se conhecer melhor, a compreender seus limites e aceitá-los. A dor torna a vida mais real, você se vê como um simples ser humano, tentando vencer nessa vida doida e desenfreada.
"Então você quer me convercer que a dor é necessária?"
É tão óbvio. Qualquer um que esteja lendo isso há de concordar que essa constatação é até clichê demais para ser analisada.
E por que eu estou escrevendo sobre isso?
Vai saber. Escrever para mim é urgência. Você ler é opção.
Por acaso, sofrer também. Dores todos nós temos. É até legal de curtir às vezes.
Dores somáticas podem ser mais difíceis de lidar, mas as existenciais você escolhe sentir. Sim, é questão de escolha. Uma escolha mais fácil ou mais difícil para alguns, admito. Eu sofro muito, mas porque meu sofrimento é proporcional à minha capacidade de me iludir, e não duvide do tamanho dessa capacidade!

É tudo tão simples. É só pensar "vale a pena sofrer?"
Questione-se.

sábado, 26 de dezembro de 2009

Em suma.



Não, eu não queria escrever sobre o que foi 2009, ou que espero de 2010.
Porque por mais que 2009 tenha sido foda, eu sempre vou me pegar pensando 'que merda de bom eu fiz em 2009?'. Ta, a lista é grande, eu sei, mas sabe, nada é suficiente, e eu sempre vou ficar frustrada. Mas... let's try it!
O que posso dizer é que eu me conheci muito esse ano. Engraçado como a crise dos 20 demorou uns 3 anos pra me pegar de jeito. Me questionei demais esse ano, me repreendi demais por estar com a idade em que eu deveria ter tudo pronto na vida já [ou quase tudo]. Mas o que tenho? Eu ME tenho. Aprendi que isso já basta.
Conheci gente, fiz amigos de vida, ri, chorei, me apaixonei, desapaixonei, fui cruel, fui implicante, parti corações, partiram o meu. Estive confusa, tive certezas. Pensei em passar a vida toda com alguém, me arrependi de ter pensado nisso. Criei personagens, brinquei de ser eu mesma. Me afoguei na vida virtual. Pedi demissão, arrumei empregos que não duraram mais que 3 dias. Tranquei a faculdade. Odiei, amei, compreendi, fui rude, dura e insensível. Fui carinhosa, birrenta e ciumenta. Chorei lendo históricos do msn. Disse que amava, disse que odiava, gritei, me fiz entender, dei sacudida em algumas pessoas, dei minha cara a tapa e meu ombro ao choro alheio. Voltei pra Igreja. Acreditei nas pessoas que não deveria. Saí sozinha na rua, chorando porque me sentia só no mundo. Peguei chuva, virei noites e noites com amigos. Fui cupido, fui juíza, fui ré. Fui amiga, fui irmã, fui filha, fui amante e fui amada. Finalmente aceitei o fato de que eu me censuro demais, que me cobro demais e sou muito dura comigo mesma, apesar de amar o meu estilo de ver a vida.
Descobri muita coisa ruim sobre mim mesma. Descobri muita coisa boa que eu nem imaginava. Descobri obstinação, seriedade, sabedoria. Também descobri muita insegurança, infantilidade e incompreensão.

Descobri que pensar na Lisa é legal.
Engraçado, que eu nunca pensei tanto sobre mim mesma como em 2009.

Bom, 2010...
Na verdade, eu to cagando pra 2010.
Eu to viva, e se 2009 me ensinou alguma coisa, foi a viver.
Se 2010 for tão intenso quando o ano que ta indo, eu já to no lucro.

E eu não acredito mais em resoluções de Ano Novo. /di-ca

No mais, só quero que 2010 me dê muita inspiração pra contos e textos.


[agradeçam ao Adams e a Lid por eu não desistir do blog]


segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Bye.



Eu só queria escrever sobre o que estou sentindo.
Seria só mais um post sobre algum tipo de desilusão, algum a coisa que está me incomodando.
Mas, sinceramente? Eu tô de saco cheio disso.
Disso mesmo. De sentir essas coisas, de estar sempre confusa e nostálgica.
De sempre tentar achar sentido nas coisas que sinto, nas coisas que penso.
Cansada de ter essas ideías e questionamentos tão clichês, tão 'adolescente confusa que quer tentar ser cult'.
Cansada de tentar expôr uma Lisa que ta cansada de si mesma.
Na boa? Chega.


[talvez eu pare de usar o blog, perdoem-me]

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Silêncio.

Pois é. outubro tá quase acabando e nada de um post novo. Pensando no que poderia escrever percebi que não tenho nada a dizer. Todas as palavras que eu pudesse usar seriam ímfimas diante de todos os sentimentos que abarcam meu ser nesse momento. Acho melhor então calar, deixar que o mar se acalme, que o vento cesse e o Sol volte a aparecer entre as nuvens, não tão densas quanto agora, espero.


{...}

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

(...)

É engraçado quando não se tem o que dizer. Até tem, mas as palavras passam na sua cabeça em uma velocidade extraordinariamente alta. E você tá ali, olho a olho, sentindo o cheiro do outro, consegue perceber cada pêlo minúsculo, cada imperfeição, cada póro, cada ruga escondida. E seu cérebro parece não assimilar o que está acontecendo, parece vazio e ao mesmo tempo cheio de idéias e palavras que não se juntam para formar uma frase. Agora seu corpo todo está respondendo a esses pulsos. Seu coração começa a disparar em um ritmo desordenado, suas mãos suam e seu estômago embrulha. Você lembra a primeira vez que o viu. Lembra daquela camisa cinza, que na hora você achou tão sem graça. Mas como pode o cara de camisa cinza e calça de tactel parecer tão atraente a primeira vista? Você lembra que ele nem bonito é, mas pensa em como o desenho dos lábios é perfeito, como cada parte do seu rosto em separado parece tão notável. Você acaba lembrando das poucas vezes que conversaram, de como discordaram em quase tudo, de como ele te irritava cada vez que fazia questão de ter uma opinião contrária, fazendo parecer que não passava de pura implicância. Agora você está ali, há alguns segundos do inevitável, tendo todos os motivos para odiá-lo, sabendo que depois daquele momento não teria mais volta, seria uma vida de conflitos e opiniões divergentes. Mas alguma coisa te diz que vale a pena. Então você lembra dos momentos bobos, do caminhar de mãos dadas, da primeira vez que ele te aninhou em seus ombros e cantou bem baixinho pra você. Você lembra dos ciuminhos, das coisas doces que ele dizia sem perceber e não admitia quando você comentava. Lembra de como é bom fazer carinho naquele rosto que agora parece tão perfeito, como é bom o cheirinho que ele tem, como ele penteia o cabelo daquele jeito que só cai bem nele.
Alguma coisa lhe vem à cabeça. Como você pode sentir isso sem nem o conhecer direito? Mas é só o que aparece na sua mente.
"Eu... eu... gosto muito de você." É só o que consegue dizer.

Um beijo.

Uma frase suprimida.

Um olhar.

"Eu te amo."
Ela vai continuar engasgada.


quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Sobre uma felicidade qualquer.


Esses dias um amigo veio me perguntar se eu continuava escrevendo. Eu falei que não estava conseguindo, porque havia perdido minha inspiração. Eu não sei lidar com a felicidade e me sinto bastante feliz ultimamente, o que atrapalha minhas criações, já que eu fico horas e horas tentando entender e saborear como é estar feliz.
Andei pensando muito sobre essa palavra: Felicidade. O que é a felicidade? Existe uma fórmula para ser feliz?
Uma vez uma amiga me falou que existem áreas na nossa vida: Familiar, profissional, amorosa, a saúde e a da amizade. Segundo ela, se você tem pelo menos 3 dessas áreas caminhando bem, você pode se considerar uma pessoa caminhando para a felicidade. Quando você consegue perfeito equilíbrio entre todas, você deve se considerar uma pessoa feliz. Certo. Agora quem consegue chegar ao nível de ter as 5 equilibradas? Só à mim parece utópica essa idéia? É ruim quando se é acostumado à um estado funesto, até mesmo lúgubre, porque mesmo quando parece que se é feliz, parece que seu cérebro te obriga a criar alguma coisa que faça essa momentânea felicidade não ser plena. Algo dentro de você diz “não acostume-se, você não é assim”. Aí você começa a enfiar os pés pelas mãos. Às vezes não se tem nenhum motivo aparente para estar mal, mas algo te impulsiona à coisas tristes, sabe.
Pois bem, eu só to conseguindo escrever agora porque eu estou num momento triste. Posso dizer que não tenho nenhuma das áreas acima com a barrinha de download em 40% que seja. Já ouvi que eu não merecia ser feliz. “-Nossa, que dramático!” você deve pensar. Eu já acho é graça dessa frase. Quem nesse mundo merece realmente ser feliz? Pode até ser que a felicidade seja uma dádiva não-merecida que Deus dá pra conseguirmos suportar esse mundo tão cruel. Vai saber. Ou talvez seja um alvo que Ele criou para nunca ficarmos de braços cruzados, para sempre lutarmos por algo, para termos necessidade de procurar coisas boas e fazer coisas boas. Bom, eu não espero ser feliz. Sou complexa demais para isso e convivo com pessoas simples demais. Já entendeu o choque que é tentar ser feliz com eu queria ser, estando num mundo totalmente diferente do meu, não é? Mas eu tenho aprendido a me contentar com o que tenho e tentar fazer as pessoas à minha volta serem felizes. É bom ver a felicidade das pessoas. Não as invejo, só gosto de observar e estudá-las, sempre tentando achar a real felicidade, mas na verdade nunca a vejo completamente, só vestígios da mesma. Pois é, só me resta dizer que a felicidade é um idéia muito bonita, mas fantasiosa demais para mim.

Este não é um texto bom, na verdade é um desabafo.

"Sou meio triste e acho graça. Tem tanta gente triste que disfarça..."
(Tanto tanto - Vander Lee)