terça-feira, 30 de junho de 2009

Inspiração.



Cliquei no word. Ele sempre demora um pouco a abrir. Gosto disso, dá tempo de eu desistir de escrever [coisa que já aconteceu 'n' vezes]. Mas dessa vez ele não pareceu preguiçoso como sempre, ou talvez eu esteja menos afoita que o normal. Vi aquela página em branco e o cursor piscando, parecendo esperar ansioso por alguma palavra, por alguma idéia. Talvez ele estivesse esperando pra colocar aquele sublinhado vermelho que me irrita tanto [É, ele tem uma rixa comigo, mas isso não vem ao caso agora]. Escrevi uma palavra. Pensei em fazê-la título do texto que iria escrever. Dei dois 'enters' e esperei. Esperei aquela palavra fazer efeito. Esperei ela me mostrar o caminho, me mostrar o que tá escondido dentro dessa minha cabeça temerária. Mas hoje minha imaginação não fluiu. Minha mente não quis trabalhar, eu não soube por onde começar, como começar. O título não foi um começo só. Foi apenas uma palavra. Palavra essa que seu significado tem fugido de mim. Desculpa minha ou não, eu a tenho perdido. Como um amigo me disse, talvez eu tenha preguiça de procurar um caminho que me inspire. É, pode ser isso mesmo. Talvez muita coisa tenha mudado em tão pouco tempo que a nova Lisa ainda não tenha tido tempo para assimilar as idéias, descobrir seus novos gostos, seus novos caminhos e inspirações. Sei que minha mudança foi boa. Cabe a mim agora me adaptar e encontrar novos rumos de inspiração.

Desculpem, é só um simples texto. Nada elaborado.
Acho que combina com meu estado de espírito atual *-*
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quinta-feira, 18 de junho de 2009

Papo furado.




- Ah, esquece. Você não entende nada disso.
- Disso o quê?
- De tudo. Metáforas, vida.
- Tá bom, se você diz.
- Por que você aceita as coisas tão facilmente?
- Porque é realmente mais fácil.
- É?
- É. Você não pensa sobre e então não tem que resolver e não terá que mexer em feridas.
- Mas um dia você vai ter que parar pra pensar, não?
- Talvez. Mas pode ser que não dê tempo.
- Como assim?
- Ah, de repente a coisa acaba de vez e você não teve que se machucar à toa, entende?
- É fácil demais pra mim.
- É, é quase um dom viver a vida facilmente.
- Te invejo.
- Mesmo?
- Sim.
- Não é bom viver sem sentir demais.
- Mas é menos dolorido e mais fácil.
- Mas a vida perde a cor, perde a poesia. Há tanta poesia na dor quanto na alegria.
- Acho que deveria haver um equilíbrio.
- Sim, essa é a idéia. Quando uma coisa não está equilibrada é porque essa coisa realmente não merece nossa atenção.
- Está dizendo que o que sinto não é algo que eu deva dar tanta importância? Que não vale a pena?
- Se você sofre mais do que goza do sentimento, sim.
- Mas...
- É a idéia do Ying Yang, entende? Tudo tem que estar bem equilibrado, para poder ter uma continuidade. Tudo que é ruim demais acaba logo, assim como tudo que é bom demais. Você tem que sentir o gosto do ruim para poder saber saborear e identificar o que é bom.
- Entendo. Mas ainda não é tão fácil.
- Então você sofre porque quer. Ninguém é tão fraco que não possa controlar seus sentimentos. E você parece estar muito satisfeito com isso tudo.
- Não é bem assim, é que... Esperança, entende? Ainda tenho demais.
- Esperança? Se uma coisa não deu certo uma vez é difícil dar certo outra. Um raio não cai duas vezes na mesma árvore.
- Mas toda regra tem sua exceção, não?
- Sim, mas até quando vai esperar ser a exceção? Se fosse já teria sortido efeito, não?
- Talvez. Ou não é o momento certo.
- Nossa, como você é cabeça dura!
- É, talvez eu seja. Ou talvez eu só ame demais.
- Não, o problema é que você a ama mais que a si mesmo. Ninguém que vive assim merece ser amado.
- Já cansei de lições de moral por hoje.

(...)

- Tudo bem, vou brindar à isso.
- Que seja.
- Adeus.
- (...)





Achei isso por aqui, resolvi postar. Saudade de ter inspiração.
*
Ps.: Odeio meus diálogos, talvez porque sempre pareça alguém conversando consigo mesmo, e eu não consigo diferenciar os personagens. Enfim.
*
Ps.²: Tô feliz demais, obrigada.

sábado, 23 de maio de 2009

Amanhã.



Uma coisa puxa outra e eu me encontro aqui, às 02:24, clicando em links e mais links de blogs que já to cansada de ler e acompanhar. Cada um me diz uma coisa, cada um me traz uma pessoa à mente. Cada um com suas agonias, seus dilemas, alegrias e tristezas. E eu? O que ando sentindo? Essa introspecção me fez pensar em tantos acontecimentos. Tanta coisa que acontece em poucos dias que te faz pensar na vida toda. E pior: pensar no futuro. Hoje alguém me perguntou “quais são seus medos?”. Não hesitei: “Tenho medo do Futuro”. Ela me perguntou o por quê. Parei pra pensar. Dá realmente um frio na barriga pensar em uma coisa que não está nas suas mãos. Uma coisa tão volátil e imprevisível. Sim, você pode ter seus planos, você pode fazer metas, mas e aí? Nem tudo ou quase nada do que planejamos é como será seu futuro, isso é fato. Foi aí que em um desses blogs eu li o seguinte parágrafo:



Coincidência? Não acredito. É só mais uma vez Ele me falando de uma forma tão direta, uma forma que por tempos eu evitei, com uma voz que por muito tempo fechei os ouvir para não ouvir. Você pode não acreditar em Deus, você pode achar que a Bíblia ou a fé são coisas retrógradas, são fatos ultrapassados. Que a ciência explica tudo, que tudo é respondido pela física quântica ou seja lá pelo quê. Mas Ele é tão real na minha vida, esse sobrenatural, a forma como ele fala. É sempre de uma maneira tão sucinta e concisa, que é burrice eu duvidar disso. Me preenche. Preenche todo espaço vazio que alguém ou eu mesma tenha deixado. A Fé não é uma coisa incrível? É “a certeza das coisas que não se vêem”. E a idéia é essa mesmo. Você acredita, é real. E eu acredito em muita coisa. Acredito que meu futuro será brilhante, como Ele desejar, como Ele tiver preparado para mim. Acredito na minha felicidade, em minhas conquistas, em minha vitórias. E não vou mais ter medo do meu futuro.


“Não vos inquieteis com o dia de amanhã, pois o amanhã cuidará de si mesmo, basta a cada dia o seu próprio mal.” (Mateus 6:34)

Descansemos.

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Um post.


Hoje eu estou a fim de escrever sem compromisso. Faz tempo que não escrevo assim. Sempre tenho que ter um assunto [ou nenhum mesmo], e manter uma linha de raciocínio, um enredo que prenda o leitor, algo engraçado ou pseudo-inteligente. Mas hoje não. Hoje quero um post bem adolescente, bem bestão mesmo. Daqueles "ah, hoje eu vi algo que me fez pensar tanto, aí eu ouvi Metal Heart da Cat Power e fiquei pensando mais ainda. Será que todo mundo é assim? Vou fazer brigadeiro". Ta certo, ta certo. Nunca vou conseguir algo desse tipo. Eu vejo certas coisas, certos tipos de garota e fico pensando se eu fosse que nem elas. Se eu só me preocupasse com assuntos bestas e sem conteúdo, se eu soubesse ser efusiva e fútil... Acho que eu me daria melhor na sociedade. Sério, não é tipo. É... Sei lá. Fato é que as pessoas se relacionam melhor com gente assim. Gente que nao se precisa compreender, que não te faz pensar. Até mesmo pra namorar esse tipo de garota se sai bem melhor. Aí vem alguém e diz "Se o cara prefere esse tipo de garota é porque ele é mais idiota que ela". Sim, também acho. Mas ainda acho que ter idéias independentes, gostar de saber e pensar sobre assuntos mais "elaborados" [ou menos pensados pela massa], se destacar por saber coisas que ninguém tem saco de estudar, assusta alguns ou a maioria dos homens. Nem sempre ser diferente é legal. Às vezes só queria saber falar de esmalte, de corte de cabelo, de marca de roupa e sapato, pra me entrosar e tal. Tenho poucas amigas mulheres reais por causa disso. Não tenho saco de ficar em uma roda conversando sobre a vida de "Fulano que fez isso com a Cicrana pra ficar com Beltrana", de como "Fulaninha ta mal-vestida com aquela roupa tão last week". Ah, cara. Tenho tanto enredo e assunto na minha vida, pra quê saber e opinar na dos outros também?

Pois é. Talvez agora vocês entendam um pouco por que quase não saio e evito ver gente. É porque seres humanos no geral não me estimulam. A maioria deles perdem a graça muito rápido. Na verdade eles só têm graça enquanto novidade. Difícil alguém permanecer na minha vida. Mas quando permanece, é pra sempre. Fato.

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Relacionamentos [im]pessoais.




Hoje parei pra pensar... Faz mais de um ano que não namoro ninguém sério. Eu digo namoro mesmo, de ir em casa, jantar com família, ir em festinhas de primos chatos etc. (que fique bem claro, foi uma opção minha e eu to bem como estou). Não tenho muito saco pra dar satisfação aos meus pais, imagina a um cara que me conheceria há pouco tempo. Enfim, a questão é: Por que as pessoas cobram tanto isso? É tão estranho uma menina inteligente, bonita e atraente (cof, cof!) estar sozinha? Sou obrigada a manter um relacionamento de fachada só pra agradar minha família e amigos? Ta, tudo bem, não vou dizer que não tentei. Até tentei, mas não forcei tanto quanto deveria.


Já me relacionei com todo tipo de cara. Uma vez um cara me disse que não ficaria comigo porque eu era mais alta e ele não conseguiria aguentar o olhar das pessoas quando passássemos na rua. Bom, o cara já era quase doutor em literatura, cantor, ator, gato e tudo mais. Seria esperar demais que ele fosse homem também. Já namorei caras mais novos. Isso me levou ao fato de que não quero ter filhos. Não agüentaria adolescentes revoltados cheios de espinhas me irritando com seus problemas sexuais. Já namorei caras que tinham o ego tão inflado que nunca ficamos num lugar fechado, ou eu morreria sufocada. Certa vez conheci um cara que quase bate o carro porque “estava embasbacado com minha beleza”. Ok. Ele forçou um pouco. Ainda acho que ele era mó ruim de roda mesmo e não queria ficar mal. Desci do carro e peguei a primeira Kombi que passou. Ta, meio irônico isso, tendo em vista que os motoristas de kombis aqui na Ilha vivem “embasbacados” por mulheres na rua. Ainda acho isso a desculpa mais esfarrapada dos motoristas ruins.


Comecei a namorar cedo, levando em consideração que na minha época uma menina de 17 anos era considerada quase uma perdida por namorar, ainda mais com consentimento dos pais. E olha que nem sou tão velha assim! Mas foi desse jeito. Com 17 anos bati o pé que queria namorar o carinha mais gatinho da Igreja. Ele foi lá em casa, minha mãe adorou e bla bla bla. Ficamos 2 meses: Um namorando e um eu fiquei tentando descobrir a melhor forma de terminar. Acabei no “Bom, acho que acabou, né?” Ok, foi estúpido, mas eu ainda tinha 17 anos de idade e 12 de maturidade. Foi a melhor forma que encontrei (ou a mais rápida). E ainda fiquei rindo porque ele chorou. Às vezes me sinto péssima por isso. Na maioria das vezes não.


Já tive até romance de novela. Um cara, o que mais fui apaixonada na vida, mudou pra outro país. Foi aquela coisa, promessas, esperas, nhenhenhéns de todos os tipos. Esperei por ele, claro. Mas só por um tempo. Acredito demais em amor à distância, mas quando existe esperança. Quando se tem certeza que vale a pena. E faltou isso. Só isso.


O último cara que me relacionei (antes de um fricote de internet que eu ainda to me recuperando), a gente tinha um rolo desde os meus 16 anos. Entre idas e vindas (que não foram poucas!), a gente namorou “meia-boca” por vários momentos da minha vida. Aos 16, aquele namorinho bobo adolescente, aos meus 19, e agora há pouco aos meus 22. E nesses espaços de tempo sempre rolava um flashback só pra aliviar a tensão. Bom, é estranho quando você sabe que o cara ta caidinho por você. Ele começa a pensar em futuro, você começa a se ver no futuro. Abrindo mão de coisas, engordando, dividindo intimidades que eu já odeio dividir com meus irmãos, perdendo horas em DR’s, criando filhos, sustentando casa, cuidando de uma outra pessoa, que talvez nem seja a pessoa da sua vida. Quem sabe quem é A pessoa da vida? E eu sabia que ele não era O cara. Então achei melhor dar um basta, acima de tudo sou sincera com meus sentimentos. Confusa, mas sincera. Ele me odiou por um bom tempo alegando que o “enrolei esse tempo todo”. Bom, hoje ele ta feliz, namorando uma amiga minha que apresentei, a qual ele só começou a namorar pra me fazer raiva. Quem diria. Formam um casal muito legal ao meu ver.


Tenho muitas mágoas, magoei muita gente. Amei demais, sofri demais e continuo sofrendo e amando. É um círculo vicioso. Por mais que eu me ache um tanto auto-suficiente, por mais que eu ache que a gente só precisa da gente mesmo pra ser feliz, ainda fica aquela dúvida “será que eu vou conseguir ser sozinha e ser feliz assim mesmo?”. Vai saber. Talvez eu precise de bem mais que um ano. Talvez eu precise descansar o pobre do coraçãozinho que já ta com disritmia de tantos compassos mal tocados por músicos amadores.



[Sei, a foto nem tem tanto a ver, mas eu me imagino assim quando escrevo. Sou doente ok bjs]


See all!

quinta-feira, 30 de abril de 2009

er...


Às vezes você não sente uma vontade louca de escrever e não tem a mínima idéia sobre o quê escrever? Pensei em várias coisas... Até pedi pra uma amiga me dar um toque. Ela foi convidada pra ir à Paris passar um mês com um cara de internet que nunca a viu na vida. Pensei em escrever sobre isso, mas, acho dar idéia demais pra maluco. Não que seja uma coisa muito bizarra. Do jeito que eu tô ultimamente, sedenta de novas experiências, talvez eu tivesse aceitado na hora. O máximo que aconteceria seria perder meus órgãos pro mercado negro e ser manchete do jornal O Globo por 2 semanas. Seria um fim até legal, po. Passar na Globo em horário nobre. Quem sabe eles não fuçariam minha vida e descobrissem meu blog e eu fosse mais uma escritora póstuma? Talvez tivesse até mesmo exposição sobre minha vida no CCBB. Vai saber.
"Ó, falar de relacionamentos de internet megalomaniacos seria uma boa". Não, ela só podia estar de sacanagem com a minha cara, né? Sim, claro. E cair em mais um post emo, cheio de frustrações. Era tudo que eu queria pra animar o blog.
Pensei na gripe suína, mas acho que já tem textos e piadas demais por aí sobre esse assunto. Só no twitter é um stalkada atrás da outra. Esse dias li uma frase que achei muito legal [o Daniel até RT lá]: "Gripe suína, gripe do frango, vaca louca... Quem diria que o Apocalipse ia se tornar uma grande churrascada de Domingo...". Eu ri. Muito. Não lembro quem foi o autor, sei que é feio usa frases sem dizer quem criou, mas afinal, eu só escrevo por escrever. Não esperem muita coisa de uma simples bloggeira.
Falando em blog... Um carinha uma vez disse que meu blog é cheio de textos de menininha, clichês e que não acrescentam nada pra ninguém. Bingo! Ele acha que descobriu a pólvora por causa disso? Ele tem um blog fodão, admito. Mas eu ainda to tentando descobrir no que o dele acrescenta pra humanidade. Juro que um dia eu descubro e levo em consideração o que ele falou sobre o meu. Não que eu ache meu blog grande coisa. Na verdade nem acho. Mas é só um blog, gente. As pessoas poderiam levar as coisas de internet menos a serio [olha eu caindo no assunto de relacionamentos internéticos megalomaníacos de novo].
To achando legal isso de não ter o quê escrever, que você acaba escrevendo sobre um monte de coisa. Acho que vou começar a utilizar essa técnica.
Bom, resumindo, escrevi sobre tudo e sobre nada.
É, galere. Só mais um post, sobre qualquer coisa. [A verdade é que eu queria descer o post anterior hehe]
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Ah sim, hoje consegui escrever os releases sobre o novo cd do Vander Lee e o do Móveis pro Blogalternativa.
É, hoje foi um dia produtivo. Dormirei 12 horas todo dia.
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See all.

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Apenas mais uma de qualquer coisa.




Já se sentiu anestesiado de tanta dor? Já sentiu uma coisa tão ruim que você achou que ela sairia de dentro de você e se materializaria na sua frente? É, parece musica do Simple Plan mas é o que tenho sentido ultimamente. É estranho, parece que os olhos são movidos à ócio: Se eu paro um segundo lá vem as lágrimas rolando até dizer chega [medo de ter que tomar soro caseiro daqui ha pouco]. Então, fazer piada com meus momentos ruins foi a forma que achei de poder pensar no assunto sem drama, sem me acabar de chorar também. Uma vez meu irmão terminou com a primeira namorada dele e ficou ouvindo a mesma musica o dia INTEIRO, chorando em frente o aparelho de som. Eu deveria ter o que... Uns 10 anos, mais ou menos. Eu não conseguia entender o que estava acontecendo. Sempre o vi feliz e cheio de marra pela casa. Resolvi perguntar pra minha mãe. Ela disse 'Ele terminou com a namorada'. Eu falei 'e isso dói tanto assim?'. Me surpreendi com o poder que alguém teve de fazer meu irmão [que sempre fora cheio de mania de fodão] sofrer e chorar pra todo mundo ver. Cresci e percebi que se alguém tem o poder de nos deixar doídos, esse alguém somos nós mesmos. Nós criamos expectativas, nós sonhamos, fazemos planos sem ao menos saber em que terreno estamos nos metendo. Sim, porque por mais que você conheça alguém de verdade e há anos, não se poder ter certeza absoluta do que essa pessoa sente por você, ou em relação à relação que tenham.
Ok, ok. Eu to enrolando pra dizer, mas a verdade é que me fodi. Me fodi feio, por conta dessa mania irritante que temos de construir sonhos e planos em cima de alguém. Essa mania de achar que o amor é lindo e suficiente. "Ah, vamos tentar, o amor se encarrega do que vier depois". CAÔ! O amor é um reles enfeite, um ornamento que usamos pra deixar a vida um pouco mais bonita. E você se deixa levar, se envereda por um caminho lindo, cheio de flores, passarinhos e às vezes até fadinhas. Vai saltitando pelos paralelepípedos cor-de-rosa [sim, porque uma pessoa apaixonada vê cada coisa brega, Deusmelivreeguarde ], ao som de alguma musica do Jorge Vercillo. Aí a pessoa que ta caminhando com você é linda, perfeita. Tem os olhos mais lindos que você já viu, fala coisas mais inteligentes e transcedentais que o Pedro Bial em final de Big Brother. E você se ilude, achando que é a pessoa da sua vida, que ela vai conseguir conviver com seus defeitos e vice-versa. Que vão enfrentar batalhas juntos, passar por momentos difíceis e se materem de pé. Pff! Chega uma hora que qualquer desentendimento vira uma batalha, qualquer lagartixa vira um dragão. E se dá conta que nenhum dos dois é São jorge: Não matam dragões e muito menos fazem milagres. E é aí que o caminho começa a virar Avenida Brasil, cheio de buraco e com um monte de carros andando a mais de 100 km/h desvairados [entenda carros como quiser ], quase batendo em você. Você vê quase o Vale da Sombra da morte: Os passarinhos começam a se transformar em reclamações e fofoquinhas, as flores viram cactos, palavras que cortam sua pele, e as fadinhas? Ah, as fadinhas... Prefiro não comentar sobre elas. Aí você olha pro lado e se depara com a outra pessoa que está do seu lado agora. Porque não é possível que aquele principe encantado tenha se tornado esse ser que você olha agora. Repara que o olhar é meio torto e frio. As palavras? Aqueles versinhos cheios de rimas pobres que você escreve no diário aos 14 anos. Sim, o nome disso é desilusão. A pessoa pode não ser esse mosntro que você está vendo agora, mas como a ilusão nos faz ver muito mais do que a pessoa é, a desilusão faz justamente o contrário. Te faz ver o real sem enfeites e ainda por cima piorado. O que resta nesse caso é esperar. É. Esperar que o monstro fique familiar. Sim, o relacionamento já era, mas às vezes vale a pena ter o monstrinho como amigo, afinal, é alguém com quem você se dividiu, que sabe tanto sobre você, que você acabou criando um carinho.
Enfim, eu tô desiludida, admito. Não sei se devo, sei que não faz diferença, mas ainda não cheguei no estágio do monstrinho. Ainda não consigo olhar a pessoa que amei com olhos de desilusão, apesar de a sentir latejante dentro de mim. Mas pelo menos já consigo usar o verbo amar no passado. Já consigo olhar pra trás e ver que fui feliz, que sonhar me fez bem, apesar de não querer que isso aconteça tão cedo.
É isso. Um texto exagerado que se contradiz. Acho que essa é a melhor definição do amor, pra mim, no momento.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Filhos da Puta: Tipos.


Um filho da puta.

Às vezes pode ser uma filha da puta. Mas isso não muda nada.

Eles estão sempre aí, esperando o momento certo para uma nova "filhadaputagem". Quando tudo começa a correr bem: Você conseguiu o grande emprego, todo mundo na nova empresa parece amigo, quase uma família, todos gostam de você, inclusive seu chefe. Mas são nessas horas menos improváveis que ele aparece. "O fulaninho estava de férias, queria te apresentar". Sim, você já tava sentindo o cheiro, aquele cheiro de perfume doce misturado com amaciante de roupas que te dá vontade de procurar a primeira lixeira pra vomitar. E ele sempre com o sorrisinho muito impecável, e um aperto de mão forte, do tipo "eu tô de olho em você" que só engana mesmo ao chefe - ou não -.

Há também o típico 'amigo filho da puta'. Aquele que só abre a boca pra falar merda na hora que a gente menos precisa. Faz brincadeiras com coisas que você tenha feito ou dito na frente de quem for. Geralmente na frente de quem não precisava saber: Seus pais, sua namorada, seu chefe, o padre, sua vó... E pior, quer que a gente acredite que foi sem querer, se faz de vítima quando você briga ou o evita, e consegue fazer com que as pessoas com quem ele te deixou em maus lençóis fiquem com pena dele e com raiva de você!

Mas não tem coisa pior que o parente filho da puta. Ele se parece bastante com o amigo filho da puta, mas você é obrigado a engolir, o que torna as coisas um pouco mais difíceis. Ele sempre chega na sua casa sem avisar. Isso quando não traz a família toda para acabar com sua despensa. Toma sua última cerveja e ainda manda você ir comprar mais. Você vai, como um pessoa educada [e porque você vai precisar encher a cara para o aguentar]. Quando você volta, vê a casa um caos: Crianças brigando e gritando na sua sala, a esposa dele tá deitada na sua cama de casal [ provavelmente grávida, filhos da puta procriam rápido e em grande quantidade], e seu parente ta vendo o jogo de futebol, bebendo sua última cerveja, com vários petiscos na mesinha de centro e mandando as crianças calarem a boca. A pior parte é que esse tipo de filho da puta é carente. Quando seu time faz um gol ele te abraça, com aquela pança nojenta [sim, a essas horas ele já esta sem camisa e usando o seu shortinho de pijama que você tanto gosta ], começa a pular abraçado com você, derrubando toda a cerveja no seu tapete novinho [quando sua mulher chegar vai ter um treco, fato ]. No fim do dia, a esposa acorda [parece até que sabe a hora certa de bater em retirada ], as crianças ainda estão brigando, e o filho da puta, que mais parece um gafanhoto, que arrasa uma plantação depois vai procurar outra, te abraça, todo feliz, sem nem perceber o quanto aquele dia foi um desastre pra você. Até te convida pra ir na casa dele, convite esse que você nunca aceita. Ele vai embora. Você só tem tempo de olhar à sua volta e ver o chiqueiro em que seu lar se tornou. E é sempre nessa hora que sua esposa chega...

Outro tipo, não tão importante, mas sempre incômodo, é o amigo filho da puta de sua namorada. "Você tem que entender, amor.. O conheço desde criança". É, meu caro, você tem que entender. O cara já é 'da família'. Sua sogra o adora, conhece a família toda dele, é super amiga da mãe e do pai do infeliz. E ela não ajuda: "Sempre quis que a Laurinha namorasse o Pedrinho, mas ela nunca quis...". É, ela fala isso na sua frente, geralmente naquelas festas da família, que tá cheia daquelas tias gordas mal-amadas, que queriam se realizar através da sobrinha prodígio. E é ele quem faz sala pros parentes dela, faz sala até mesmo pra você! Ele dá presentes melhores que os seus, ta na pagina de relacionamentos dela sempre dizendo coisas lindas, e sendo retribuído. Mas contra esse filho da puta não se tem muito o que fazer. Ou você o engole ou muda de namorada [e torce pra que a próxima tenha como melhor amigo uma mulher. Se não tiver muitos amigos, melhor.].Não muito diferente desse tipo citado, é a amiga filha da puta-perigueti do seu namorado. Essa geralmente não é tão amiga da família, o que não a torna menos incômoda. Porque esse tipo é cara de pau, suja e sutil. Se utiliza de celulares, paginas de relacionamentos [ principalmente ], MSN, fotologs, blogs e tudo mais que tiver ao alcance de suas vistas. Ela liga na hora que você tá no maior amor com seu namorado [ sim, ela consegue descobrir o momento exato ], ela passa na rua se jogando, ignorando sua presença. Manda recados duvidosos, e sempre arranja um jeito de deixar seu namorado em maus lençóis. O bom é que esse tipo quando ignorado muda de foco. Mas nunca vai deixar de ser filha da puta.

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Fato é que todo mundo conhece um filho da puta, e, óbvio, é um filho da puta na vida de alguém.


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[ to be continued... ]

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Cartas que eu não mando.

Chove torrencialmente agora. É bonito ver as plantas sendo lavadas, o céu cinza e triste e o efeito que a chuva faz quando cai no chão. Me lembrou aquele dia qua saímos no sol a pino, totalmente desprevinidos pra passear na Quinta, e fomos pegos de surpresa por uma daquelas chuvas de verão. Você falando pra eu deixar de ser boba e sair de debaixo da marquize da barraquinha. E fomos andando, passeando como se não houvesse chuva... As pessoas correndo e a gente ali, andando num tempo totalmente alheio, parecendo até que não fazíamos parte daquilo. Parecia um filme. É, eu fico pensando no que fomos, parece mesmo que não passamos de personagens de algum filme, de algum livro. Ando meio nostálgica. Leio, releio suas cartas, seus bilhetes, as dedicatórias de fotos e ainda não consigo lembrar de tudo e não chorar. Não consigo mais me relacionar com ninguém. Quando tudo parece que ta dando certo, acontece alguma coisa e acaba. E eu sempre acho que é o Destino que não me quer com mais ninguem, além de você. Como diziam, "a gente dá certo". Sabe, achei que tinha encontrado alguém que finalmente ia preencher o espaço que você deixou na minha vida. Ele é divertido, carinhoso, inteligente, diz me amar e eu realmente estava gostando dele. Mas é difícil acreditar no amor de alguém que não sabe conter seus impulsos, que põe tudo a perder por um pequeno momento de distração. Não duvido por completo do amor dele, sabe? Mas é difícil conquistar minha confiança depois que a perde. Você me conhece bem, sabe como é. Você quem me ensinou que às vezes num relacionamento a confiança vale mais que tudo, porque alguma coisa tem que fazer o amor ter chão...
Bom, não tenho muito mais o que te dizer...
A faculdade tá legal, tomei bomba em uma matéria, mas passei pro segundo semestre com uma média boa ainda. E sobre a Música... Não sei, não tenho tido inspiração pra pegar no violão, e sabe como é minha dificuldade pra juntar letra e melodia. Mas vou pensar em algo legal, só porque você pediu.
Enfim, me mande notícias.
Ainda sinto sua falta.
Beijos de sua acrônica.

domingo, 15 de março de 2009

Encontro.

Uma abordagem óbvia, mas corajosa.
Sim, pelo tempo que ele estava me olhando, acharia estranho se ele deixasse isso passar despercebido.
- Oi, colega. Posso sentar aqui?
"Se já sentou, né?". Pensei. Mas não soltei uma palavra. Me dignei a ficar observando aquele ser.
- Você está sozinha?
"Não, eu tô sentada aqui há mais de 30 minutos com meu amigo imaginário, que por acaso você sentou em cima." Não respondi novamente. Peguei uma batata e dei uma golada na Coca-cola, já um tanto quente. Não que ele fosse obrigado a me conhecer, mas eu não estaria esperando alguém há tanto tempo. Meu máximo de espera é 10 minutos. Claro que eu estava sozinha. E estava bem com meus pensamentos e meu livro, até aquele momento.Ficou um silêncio. Deu pra sentir o nariz dele gelar com meu olhar (e que nariz feio o estranho tinha!).
- Bom, meu nome é Diogo, e o seu? - Dava pra sentir um pouco de insegurança na voz dele. Talvez eu sentisse pena. Mas não hoje.
Me surpreendi um pouco com a insistência e repondi quase sem voz:
- Luna.
Os olhos dele brilharam, ao ouvir as quatro letras. "Que cara patético" - foi só o que pude pensar.
- Que apelido legal! Tenho uma amiga que a gente a chama assim. O nome dela é Luciana.
- Não é um apelido, é meu nome mesmo, COLEGA.
Deixei bem claro o asco que tenho por esse tratamento. 'Colega'. Não sei por quê, mas ando sem paciência para esses flertes tão sem graça, descarados e nada originais dos homens de hoje em dia. Mas o ser à minha frente ignorou ou pareceu não ter reparado meu tom sarcástico ( o que poderia se esperar de um cara que usava blusa rosa com sapato creme?! Senso? Nunca.).
Ele continou:
- Então, eu tava te olhando de lá (apontou pro lugar que ele estivera sentado desde antes de eu chegar) e pensei: 'Nossa, que menina interessante!'. Achei que não deveria perder a oportunidade. Fiz mal?
O que eu poderia dizer? "Sim, com tanta mulher com mais cara de pré-disposta sexualmente você vem logo na que esta comendo o maior lanche, usando sapatos sem salto, óculos, rabo-de-cavalo, sem maquiagem e lendo 'Formação Econômica do Brasil? Você só pode ser um completo idiota." Mas comecei a simpatizar com algo nele. Não sei bem explicar o que era. Acho que foi o sorriso. Admito. Aquele idiota tinha uma arcada dentária perfeita e o rosto dele fazia covinha quando ria.
- Claro que não, Diogo. Me sinto lisonjeada. - Fui mais educada que simpática. Não queria -e não ia- dar o braço a torcer.
Outra batata. Outra golada.
- Não vou perguntar se você em sempre aqui, pois você não parece o tipo que frequenta esse lugar.
- Por que não? - Fiquei curiosa com a afirmação.
- Porque você não é gorda e nem parece aquele tipo de mulher solitária que despeja todas suas frustrações em fast-food.
- Sim, sou do tipo que resolve suas frustrações em frente à tv vendo filme romântico e comendo sorvete.
Ele riu, achei forçado.
- Você pode até ter frustrações, mas não as do tipo amorosas.
De onde ele tirou aquilo? Eu, que tinha acabado de sair de um relacionamento conturbado de 3 anos, com um fim digno de crime passional. O típico caso de ser trocada por uma mulher mais nova, mais fútil, burra e menos complicada. Sempre achei que os homens eram todos iguais e que esse tipo de coisa acontecia todo dia com alguma mulher no mundo. Mas algo dizia que comigo deveria ser diferente. Mas não foi.
- Você não sabe de nada. - Folheei uma página do capítulo 2, mas sem prestar muita atenção. Já tinha cansado de ler como a contribuição dos flamengos na expansão do mercado do açúcar na segunda metade do século XVI fora fator fundamental do êxito da colonização do Brasil.
- Mas deduzo muito bem. -Falou em tom baixo.
- Como?
- Faculdade? - Disse, ignorando minha pergunta e apontando para o livro que eu acabara de fechar e pôr em cima da mesa.
- Sim. - Disse pensando no que ele disse há alguns segundos. Quem dera ele tivesse deduzido certo e nada daquilo que passara essa semana toda tivesse acontecido.
- Que legal! faz o quê?
- História. E você? Está cursando alguma?
- Sim, faço Gestão de RH.
- Hm.
- Mas não sou o tipo cara chato/sem sal/idiota que você está pensando.
- E além de deduzir coisas mirabolantes você deu pra ler pensamentos?
- Na verdade não achei que você fosse pensar isso. Pelo menos eu não queria que pensasse.
Ok. Eu comecei a sentir pena do rapaz, mas eu não ia ser piedosa e tratá-lo bem só porque ele fez carinha de cachorro com fome. Todo homem faz isso. E sempre dá no que dá.
Achei melhor cortar de um jeito menos doloroso:
- Bom, foi um prazer, mas já está na minha hora. - Disse, pegando minha bolsa e levantando.
- É, tá meio tarde mesmo. Você pega ônibus aqui perto?
Sim, deu vontade de tê-lo como companhia, ainda mais nas ruas perigosas do Centro da Cidade.
- Tenho que andar um pouco, mas coisa de 15 minutos.
- Não vou te deixar ir sozinha. Permite? - Disse pegando minha bandeja e despejando os restos no lixo.
- Claro, por que não? - Foi um sorriso amarelo, mas o primeiro da noite.
Saímos, sem trocar palavra alguma. Eu não seria a primeira a dizer qualquer coisa àquele estranho que já nem era tão estranho assim. Àquela hora eu já havia me simpatizado até com o nariz dele. Me odiava por isso. Agora, em pé, dava pra reparar com o porte físico dele era bonito. Mas ainda me doía ver a blusa rosa e o sapato creme.
- Você mora perto?
- Sim. Uns 20 minutos.
- Hum, legal. Eu demoro quase 1 hora e meia pra chegar em casa, geralmente. É bom pra estudar, pelo menos.
- Sinto enjôo quando leio em ônibus.
- Mas também, nem dá pra ler muita coisa em 20 minutos, né? - Ele riu, mas de um jeito tão meigo que eu parei. Sabe aquela cenas típicas de desenhos japoneses, que o cara ri sem graça, põe a mão na nuca e cai uma gotinha do rosto? Foi mais ou menos assim.
- O que foi? - Disse ele, mudando o semblante para um ar mais preocupado.
- Não, nada. Te achei parecido com alguém, só isso. - E ri, e dessa vez foi meigo e verdadeiro.
Continuei a andar. E me acompanhou.
- Bom, Luna. Vou ser bem sincero com você. Já tinha te visto antes, não naquele fast-food. A gente estuda na mesma faculdade. Te vi no corredor um dia, conversando com uns amigos. Você parecia uma menininha despreocupada e sorridente. Achei a coisa mais meiga! Te achei tão fofa e bonitinha...hm...sexy ao mesmo tempo, Não sei explicar. Mas vejo que você não se parece muito com aquela menina que vi. Você parece tão segura de si, tão sarcástica, tão fria... Eu pareço bobo, lerdo, mas eu percebo quando alguém tenta me evitar. Por isso saiba que não estou mais tentando nada com você.
Por que ele disse aquilo?! Logo agora que eu tava me simpatizando com a cara dele? Como ele ousa desistir de mim assim, sem nem tentar direito? Que tipo de cara era aquele?
- A questão não é evitar, Diogo. Não passei por momentos muito bons essa semana.
-E foram momentos tão ruins que pessoas que tentam ser legais com você merecem pagar?
É, ele tinha razão. Ou não. Não sei, eu estava confusa. e ele não estava ajudando.
- Todo mundo tem momentos ruins, Luna. Imagine se todos descontassem nas pessoas à volta, nas pessoas que se importam e querem vê-las bem!
Do que ele estava falando, Deus? Ele me conheceu hoje, não pode ter tanto carinho assim por uma desconhecida. A verdade era que nunca um homem tinha sido tão sincero e real como ele estava sendo. Eu sempre vivi esperando o pior deles, e sempre o que recebia era isso mesmo. O pior. Por que eu estava aceitando um estranho falar assim comigo?
- Olha só, Diogo...
- Quer um doce? Peraí. Hei, moço! - Virou-se pro ambulante - Me dá dois serenatas.
- Mas...
- Pra adoçar um pouco sua vida. - E me oferecu o chocolate
- Er.. obrigada - Peguei o bombom, muito sem graça.
- Desculpa, às vezes sou assim mesmo. Não tenho que me meter na sua vida. Você trata as pessoas como deve achar melhor.
- Mas eu não te tratei mal por querer, é que...
- Não importa. - Colocou o bombom inteiro na boca - Nossa, adoro esse chocolate!
Eu ri da forma que ele comia e falava ao mesmo tempo, parecia uma criança!
- Obrigada.
- Pelo chocolate? Foi só 50 centavos!
- Não falei disso, bobão.
- Do quê falava então, bobona?
- Das palavras, da atenção, da sinceridade.
- Ah, que isso. Eu fui com a sua cara. De graça. - E riu, de novo, com aquela cara de criança.
Viramos uma esquina e chegamos ao ponto final.
- É, chegamos no meu ponto.
- Então.. É aqui que nos despedimos, certo?
- Acho que sim.
Esperei que ele dissesse mais algo ou tentasse, sei lá, me beijar, abraçar ou algo do tipo.
Mas não. Ele só apertou minha mão e disse:
- Foi um prazer, Luna. Nos vemos por aí.
- O prazer foi todo meu.
Ele deu um sorriso. Dessa vez sem mostrar os dentes. Ficamos nos olhando uns segundos.
- Você não quer meu telef...
Ele não me ouviu, virou e saiu andando.
Talvez ele tivesse ouvido, mas sabia que ainda não era tempo. Não para tentar algo. Sim, não era meu tempo. E ele sabia disso. Eu deveria saber disso.
Entrei no meu ônibus me sentindo bem menos pior. Me sentia mulher, me sentia segura de verdade. Fazia tempo que não sentia isso. Soltei o cabelo, tirei o óculos. Foi bom ver o mundo de novo sem me sentir um lixo. Alguém poderia gostar de mim. Sim. E eu poderia gostar de alguém de novo. Fosse o Diogo ou qualquer outro.